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terça-feira, 29 de junho de 2010

Glossário (Construção)

[1] Este glossário é parte integrante da monografia Signum, sinos e toques: da magia do som metálico aos campanários ouropretanos, apresentada por Fábio César Montanheiro ao Curso de Especialização em Cultura e Arte Barroca do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto (IFAC/UFOP), em 2001.

ABAFAR. – o sino. É o ato de encostar o badalo no bordo do sino, logo após este ter emitido uma badalada. Com isso procura-se fazer cessar sua vibração e, conseqüentemente, que a emissão de ondas sonoras não se prolongue. Costuma-se abafar o sino após cada uma das 14 badaladas do Te Deum, pois como o hino tem algumas estrofes curtas, a longa vibração da bacia impediria que os sineiros o acompanhassem para saber o momento da badalada seguinte.

ACOMPANHAR. É o ato de badalar o bronze em harmonia com o repique. Num toque dado a três sinos, o sineiro que badala o bronze acompanha o repique, que é dado por outro sineiro no meião e na garrida.

ALPORCA. (V. Cabeçote.)

ALVORADA. Badaladas espaçadas em cada um dos sinos do templo: dá-se seqüencial e espaçadamente uma pancada na garrida, depois no meião e no bronze. Faz-se isso duas vezes. Após a segunda pancada no bronze, badalam-se os sinos todos conjuntamente. Essa percussão simultânea do bronze, meião e garrida corresponde ao que Silva Campos denomina “pancada romana” (apud Andrade, 1989). A alvorada é dada por ocasião de anúncio de festa religiosa – os toques das 21h na véspera de início de novenas e tríduos e na véspera do dia festivo –, durante o período festivo – apenas nos repiques do meio-dia durante as novenas e tríduos – e no toque da madrugada do dia da festa celebrada. – festiva. O toque de sinos dado na madrugada ou no amanhecer de um dia festivo.

ARREMATE. Parte do toque para missa dominical ou solene que precede a entrada. São ligeiras badaladas cadenciadas que se iniciam pela garrida, passam para o meião – logo após a primeira badalada deste, dá-se uma outra no sino grande – e para o bronze. São finalizadas por três séries de pancadas simultâneas em todos os sinos, cada uma delas alternadas por algumas badaladas no bronze (CD, faixa13).

BACIA. Corresponde ao sino, basicamente ao seu perfil, sem se levar em conta o badalo.

BADALADA. Pancada dada no bordo do sino, puxando-se o badalo por meio de uma corda.

BADALEIRA. Argola interna do sino, à qual se prende a haste do badalo.

BADALO. Peça de metal suspensa e móvel no interior do sino, outrora presa à badaleira por meio de vergalho – o badalo do Elias, o sino maior da igreja do Carmo de Ouro Preto, prende-se à badaleira por uma tira de vergalho –, atualmente por argolas de aço. Em seu extremo inferior assume a forma de uma pêra, cuja percussão contra o bordo interno do sino produz seu som.

BAMBAU. dar –. O sino dá bambau quando, estando a dobrar e tendo completado o giro de 360o, não pára de boca para cima, não fica em pé (v.), continuando o giro na mesma direção. Nesse caso, quando a bacia passa pela parte inferior da sineira, o sino emite duas pancadas, ocasionadas pelo choque duplo do badalo em posições diametralmente opostas da parede interna do sino.

BRAÇO. Haste de ferro que atravessa perpendicularmente o cabeçote e de cuja ponta pende a corda que transmite movimento ao sino quando é dobrado. Seu número varia entre um e dois nos cabeçotes dos sinos das igrejas de Ouro Preto, segundo o tamanho destes. Embora apenas os bronzes sejam ali dobrados, há cabeçotes de meiões e garridas com braço.

BRONZE. O sino grande, o maior sino de uma igreja. Invariavelmente ocupa a sineira frontal do campanário.

CABEÇOTE. Peça de madeira à qual o sino se prende por meio de ferragens. Entre o cabeçote e o sino passa-se o eixo. O mesmo que alporca e porca.

CAMPAINHA. Sineta pequena e manual, usada nas missas durante a elevação. Também é usada em procissões em que vai o Santíssimo Sacramento, tanto públicas quanto internas. O toque da campainha é uma das formas de os sineiros saberem quando devem repicar durante uma cerimônia, em momentos como o canto do Gloria, da Consagração e da bênção do Santíssimo.

CAMPANÁRIO. Construção ou pavimento da torre destinados a abrigar os sinos.

CAMPANIL. Metal para sinos, constituído de uma liga composta por 78% de cobre e 22% de estanho.

COROA. A parte superior do sino, formada por alças através das quais se prende o sino ao cabeçote e ao eixo por meio de ferragens.

DOBRAR. Pôr o sino em movimento, fazendo-o girar sobre seu eixo. Ao dobrar, sua bacia movimenta-se para dentro e para fora da torre. Esse movimento gera uma forte pancada a cada ida ou vinda da bacia, resultante do encontro do badalo com o bordo interno do sino.

DOBRE. Ato de dobrar. – com repiques. Quando o dobre compõe o toque de ocasiões festivas ou missa, enquanto o bronze é dobrado executam-se alguns repiques (CD, faixa 12); – de defunto ou fúnebre. Quando se dobra o sino por morte, o dobre é marcado por badaladas intercaladas no meião e na garrida, que são as mesmas da entradinha fúnebre. No CD anexo, pode ser ouvido na faixa 8, logo após as seis badaladas e o dobre limpo iniciais. – limpo. É o dobre do bronze sem concorrência com o som dos sinos menores, i.e. sem repiques. Em Ouro Preto apenas os bronzes são dobrados. No CD, o dobre limpo é aquele que inicia a faixa 3. É ouvido também nas faixas 4 e 8.

EIXO. Vara de ferro ou aço que passa entre o sino e seu cabeçote e prende-se a chumaceiras nas laterais da sineira, o que faz com que o sino se mantenha suspenso em altura tal que lhe permita um movimento de rotação completa no vão da sineira.

EMPINAR. – o sino. O mesmo que botar o sino em pé (v.).

ENTRADA. Parte integrante do toque, que indica a ocorrência de missas e ofícios. Quando, em seguida a dois repiques, dobre, outro repique e arremate, a entrada se dá em todos os sinos participantes do toque, ela indica que haverá missa (CD, faixa 14); quando é dada apenas no bronze, indica novena, tríduo, ou bênção. – no meião. Uma entrada dada apenas no meião, sem repiques, dobre e arremate é dada como chamada para a missa de dia de semana (CD, faixa 1); – no broze. Precede cerimônia de bênção do Santíssimo Sacramento, às quintas feiras.

ENTRADINHA. Breves badaladas ritmadas em todos os sinos que comporão o repique, antes deste se iniciar (CD, faixas 9 e 10). É dada a cada vez que se inicia uma sessão de repique e antes de um dobre, quando este é dado nos dois bronzes do templo. – fúnebre. Antes de se iniciar cada dobre fúnebre, dão-se duas ou três entradinhas na garrida e no meião: duas antes de cada um dos dois dobres por falecimento de mulher e três antes de cada um dos dobres indicativos do falecimento de algum homem.

FERRAGEM. Lingotes de ferro que passam entre a coroa do sino e o prendem ao cabeçote. Podem ser arredondadas, achatadas, batidas.

GARRIDA. “Nome geral dado a sinos pequenos de sons agudos”, segundo Andrade (1989). Nas torres de Ouro Preto, onde é comum haver três sinos, seria o menor deles, aquele de som mais agudo. Nas torres campanárias, ocupa a sineira de trás, oposta à do bronze. Segundo Silva Campos (apud Andrade, 1989), em havendo sinos menores que a garrida, denomina-se o imediatamente menor sub-garrida e, os demais, tintins.

MEIÃO. É o sino médio, de tamanho intermediário entre a garrida e o bronze. Localiza-se na sineira lateral da torre, aquela “que dá para o oitão do templo” (Silva Campos apud Andrade, 1989).

MORRER. deixar o sino – Deixa-se o sino morrer quando, estando ele a dobrar, não mais se imprime força ao seu movimento, deixando-o mover-se livremente, até parar.

PANCADA. Choque do badalo contra o bordo do sino, promovido tanto por badalada quanto por dobre.

PÉ. botar, deixar, ficar, pôr o sino em –. Ato de dobrar o sino com força suficiente para pará-lo de boca para cima, segurando-o pelo cabeçote. Normalmente, põe-se o sino em pé quando o dobre é prolongado, como o de procissões, para descanso dos sineiros. Desta forma, eles não precisam muito esforço para recolocar o instrumento em movimento.

PINO. botar, deixar, ficar, pôr o sino a –. (v. .)

PORCA. (V. Cabeçote.)

REBATE. tocar a –. Badalar apressadamente para avisar de perigo como, por exemplo, incêndio.

REPICAR. Badalar ligeiro e cadenciado dos sinos. Quando se repica, os sinos não são postos em movimento, não dobram; apenas seus badalos são puxados, por meio de cordas, contra o bordo interno da bacia. (Cf. dobre.)

REPIQUE. Ato de repicar. É o toque festivo dos sinos (CD, faixa 11).

SINAL. Em sentido lato, toque de sinos. É usado particularmente com os toques fúnebres, significando cada uma de suas partes.

SINEIRA. Abertura, vão nas torres das igrejas onde se instalam os sinos.

SINEIRO. Termo empregado tanto em relação ao fundidor quanto ao tocador de sinos.

SINO. Instrumento de percussão suspenso, oco, em forma de taça emborcada, que produz som ao ser percutido por um badalo em sua parede interna ou por um martelo em seu lado externo. – de correr. Toque de recolher dado outrora nas vilas e cidades, entre as 19h e 22h, dependendo do lugar e da estação do ano. Podia se dar pelo sino da municipalidade ou pelo sino de alguma igreja.

TOQUE. Termo geral para definir o som cadenciado produzido pelo choque do badalo contra a parede interna do(s) sino(s). Portanto, tanto o dobre fúnebre quanto o repique festivo estão compreendidos sob essa denominação.


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Onde tudo começo


Foi na noite de São João de 1698, que acampou, margem de um córrego cantando entre pedras, uma expedição de paulistas, que vinha à procura de ouro. Chefiava esse grupo o bandeirante Antônio Dias, e vinha em sua companhia, como capelão, o Padre Faria. Ao acordar, na névoa da madrugada, os bandeirantes viram desenhar-se, pouco a pouco, o alvo tão procurado: o Pico do Itacolomi. A montanha pontuada levando às costas o rochedo vinha sendo mencionada há muito como o ponto de referência do local no qual um certo mulato encontrou, no fundo de um córrego, umas pedras negras que guardou e levou para Taubaté. De lá o achado foi enviado ao Governador Artur de Sá Menezes, no Rio de Janeiro, e quando partido, verificou-se ser ouro puro, que brilhava como a luz do sol. Há dois séculos os portugueses buscavam o ouro, finalmente encontrado, e em tal quantidade que entre 1700 e 1770 a produção do Brasil foi praticamente igual a toda a produção de ouro do resto da América, verificada entre 1493 e 1850, e alcançou cerca de 50% do que o resto do mundo produziu nos séculos XVI, XVII e XVIII.



O nome Ouro Preto foi adotado em 20 de maio de 1823, quando a antiga Vila Rica foi elevada a cidade. Ouro Preto vem do ouro escuro, recoberto com uma camada de óxido de ferro, encontrado na cidade. O primeiro nome da cidade foi Vila Rica.




quarta-feira, 23 de junho de 2010

Festival de Inverno 2010


Festival de Inverno 2010

De 8 a 25 de julho, o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana - Fórum das Artes 2010 invade as ruas e ladeiras, praças, teatros e os mais variados espaços públicos das duas cidades históricas a fim de levar muita arte às populações locais e aos turistas. O evento cultural é um dos maiores do país e se destaca pela diversidade de atrações que traduzem as formas de manifestação artística locais, nacionais e de outros países.
Para saber mais novidades sobre o evento, basta ficar atento às novidades no site do Festival.
www.festivaldeinverno.ufop.br